Mostrando postagens com marcador O Zen II. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Zen II. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TAO _____________ wu wei

Um poema de Lao-Tsé, retirado do livro “Tao Te Ching – O Livro que Revela Deus”, e sua respectiva interpretação filosófica, por Huberto Rohden.

+++

Poema 47
#A sabedoria interna



Para conhecer o mundo

Não é necessário viajar pelo mundo.

Posso conhecer os segredos do mundo

Sem olhar pela janela do meu quarto.

Quanto mais longe alguém divaga,

Menor é seu saber.

O sábio atinge a sabedoria

Sem erudição;

Alcança sua meta

Sem esforço;

Termina sua jornada

Sem viajar.

Interpretação Filosófica

Toda a fonte da sabedoria está no interior do homem. O mundo externo pode apenas servir de estímulo para despertar a realidade interna do homem: mas não é fonte e causa de sabedoria. O íntimo Ser do homem é infinitamente maior do que o externo ver, ouvir, sentir, ter. Por isso, deve o homem concentrar-se no seu interno ser – e conhecerá todos os mundos externos. Sem essa interiorização, pode o homem ver todas as coisas externas sem compreender nada – assim como um analfabeto pode folhear os maiores livros da humanidade sem entender nada.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Apegado a nada


O amor é a única libertação do apego. Quando você ama tudo, não está preso a nada. ... O homem aprisionado pelo amor de uma mulher e a mulher aprisionada pelo amor de um homem estão ambos sem condições de receber a preciosa premiação da liberdade. Mas o homem e a mulher que, graças ao amor, tornaram-se uma só pessoa, inseparáveis, indistinguíveis, estão bastante qualificados para receber o prêmio. de O Livro de Mirdad, de Mikhail Naimy




O Livro de Mirdad é o livro que eu mais estimo. Mirdad é um personagem fictício, mas cada declaração e ato de Mirdad é imensamente importante.


Ele não deve ser lido como um romance, mas como uma escritura sagrada, talvez a única escritura sagrada. E você pode perceber na afirmação acima um vislumbre do discernimento, da consciência, da compreensão de Mirdad. Ele está dizendo: O amor é a única libertação do apego... e você sempre ouviu que o amor é o único apego!


Concordo com Mirdad: O amor é a única libertação do apego. Quando você ama tudo, não está preso a nada. Na verdade, o fenômeno do apego precisa ser entendido. Por que você se agarra a algo? Porque tem medo de perdê-lo. Talvez alguém possa roubá-lo. Seu medo é que não possa ter amanhã o que você tem hoje.


Quem sabe o que vai acontecer amanhã? A mulher ou o homem que você ama... Qualquer movimento é possível: vocês podem se aproximar ou podem se distanciar. Vocês podem novamente se tornar estranhos ou podem ficar tão unidos que não seria correto dizer nem mesmo que vocês são duas pessoas diferentes; é claro, existem dois corpos, mas o coração é um só, a canção do coração é uma só e o êxtase os envolve como uma nuvem. Vocês desaparecem nesse êxtase: você não é você, eu não sou eu.


O amor passa a ser tão total, tão grande e irresistível que você não pode permanecer você mesmo; você precisa submergir e desaparecer. Nesse desaparecimento, quem se prenderá, e a quem? Tudo é. Quando o amor desabrocha em sua totalidade, tudo simplesmente é. O receio do amanhã não surge, daí não surgir a questão do apego, do vínculo, do casamento, de qualquer tipo de contrato e cativeiro.



Osho, em "Amor, Liberdade e Solitude: Uma Nova Visão Sobre os Relacionamentos" Imagem por YoungLadAustin

.

terça-feira, 29 de março de 2011

OSHO _____ Como posso amar melhor?




O amor se basta, ele não precisa de melhorias. Ele é perfeito como é e de maneira nenhuma precisa ser mais perfeito.

O próprio desejo demonstra um mal-entendido a respeito do amor e de sua natureza. Pode-se ter um círculo perfeito? Todos os círculos são perfeitos; se eles não forem perfeitos, não são círculos.

A perfeição é intrínseca a um círculo, e a mesma lei diz respeito ao amor. Não se pode amar menos nem mais, pois ele não é uma quantidade. Ele é uma qualidade, que é imensurável.

Sua própria pergunta mostra que você nunca provou o que é o amor e que está tentando esconder sua falta de amor no desejo de saber “como amar melhor”. Ninguém que conhece o amor pode fazer essa pergunta.

O amor precisa ser entendido não como um encantamento biológico — isso é sensualidade e existe em todos os animais; nada há de especial nisso. Isso existe mesmo nas árvores; essa é a maneira da natureza se reproduzir. Nada há de espiritual nisso e nada especialmente humano.

Assim, o primeiro ponto é fazer uma clara distinção entre sensualidade e amor. A sensualidade é uma paixão cega; o amor é a fragrância de um coração silencioso, sereno e meditativo. O amor nada tem a ver com a biologia, com a química ou com os hormônios.

O amor é o voar de sua consciência para reinos mais elevados, além da matéria e além do corpo. No momento em que você entende o amor como algo transcendental, ele deixa de ser uma questão fundamental.

A questão fundamental é como transcender o corpo, como conhecer algo dentro de você que esteja além, além de tudo que seja mensurável. Esse é o significado da palavra matéria. Ela vem da raiz sânscrita matra, que significa medida; ela significa aquilo que pode ser medido. A palavra metro vem da mesma raiz.

A questão fundamental é como ir além do mensurável e penetrar no imensurável. Em outras palavras, como ir além da matéria e abrir os olhos para uma consciência maior. E não existe limites para a consciência — quanto mais você fica consciente, mais percebe o quanto ainda existe à sua frente.

Quando a pessoa atinge um cume, um outro cume surge à sua frente. Essa é uma peregrinação eterna.


Osho, em “Amor, Liberdade e Solitude: Uma Nova Visão Sobre os Relacionamentos”

sábado, 4 de abril de 2009

Resumo da Doutrina Buddhista


O Zen é incrível!
O Zen cura tuuudo!!

Sorria!
Faça a conexão!!!

Namastê.

***********



O texto abaixo foi desenvolvido por um discípulo leigo do mestre Zen Moriylama Roshi com o propósito de ser uma apresentação sistemática dos principais ensinamentos do Buddha, para servir de base para conversas do Dharma e posterior aperfeiçoamento por parte dos praticantes. Esperamos que o presente texto auxilie o leitor na compreensão e no estudo dos ensinamentos buddhistas. Referências Bibliográficas: "A Essência dos Ensinamentos de Buddha" (do Thich Nhât Hanh); "Textos buddhistas e Zen-buddhistas" (do Ricardo Mário Gonçalves).

As Quatro Nobres Verdades
Existe o Sofrimento. Sofrimento é: nascimento, velhice, doença, morte, estar na presença do que se detesta, estar longe do que se gosta, não obter o que se deseja, perder o que se deseja. “Sofrimento” significa a natureza insatisfatória de todas as experiências que vivemos.

Causas do Sofrimento. Os três venenos da mente são a causa de todo sofrimento: ignorância, desejo e aversão.

A Cessação do Sofrimento. Cessando os três venenos.

O Caminho para Cessação do Sofrimento. É o Nobre Caminho Óctuplo.

O Nobre Caminho ÓctuploCompreensão Correta. Saber distinguir os nutrientes saudáveis dos não saudáveis, o pensamento errôneo do correto, a fala errônea da correta, etc. Compreender as Quatro Nobres verdades, o karma, a impermanência e o não-eu. É também uma profunda confiança no Caminho, e uma visão adequada da realidade.

Pensamento Correto. É o pensamento que está de acordo com a compreensão correta. Reflete a realidade das coisas, sem distorções subjetivas. É o pensamento que não provém e nem alimenta os três venenos da mente: ignorância, desejo, aversão. É cultivar uma mente de altruísmo, uma mente que busca o Caminho iluminado.

Fala Correta. Falar de forma calma e amorosa e ouvir com atenção e compaixão. Não mentir, caluniar, distorcer os fatos ou exagerar. Não ferir nenhum ser através de nossas palavras. Não falar inutilmente. Não semear a discórdia. Não falar mal dos outros. Nossas palavras devem sempre estar de acordo com o Caminho,devem sempre serem benéficas.

Ação Correta. Não-violentar; não roubar; não ter má conduta sexual; comer, beber e consumir apropriadamente.

Meio de Vida Correto. Encontrar uma forma de viver que não o obrigue a matar, fraudar, mentir, vender armas, drogas, bebidas ou escravos; não tirar a sorte.

Esforço Correto. É diligência, a perseverança no Caminho. Há quatro práticas ligadas ao esforço correto: não alimentar sementes não-sadias em nossa consciência; abandonar as sementes não-sadias já manifestas; alimentar as sementes sadias; manter as sementes sadias já manifestas. Esforço correto é abandonar a visão errônea e adotar a visão correta; abandonar o pensamento, a fala e a ação errônea e adotar o pensamento, a fala e a ação correta. Esforço correto, acima de tudo, é domar a sua mente.

Atenção Plena Correta. Atenção plena significa estar em pleno contato com o nosso corpo, sensações, emoções, pensamentos, formações mentais, e estados de consciência. É a prática de observar e cuidar de tudo o que aparece em nós, seja positivo ou negativo.

Concentração Correta. É a prática da meditação, zazen. É permanecer profundamente absorto aqui-e-agora, onde toda dualidade desaparece. A concentração correta é o resultado natural da prática dos outros itens do Caminho.Cada um dos aspectos do Caminho contém os outros sete.

Os itens 1 e 2 correspondem à Sabedoria; os itens 3, 4, 5 à Ética; e os itens 6, 7, 8 à Meditação.

Elementos Básicos do Buddhhismo
Impermanência. Todas as coisas são impermanentes. Tudo muda o tempo todo sem parar. Nada é igual nem por um instante. Nada é estável. Um minuto atrás, nós éramos diferentes tanto física quanto mentalmente. O que nos faz sofrer não é a impermanência em si, mas o nosso desejo de que as coisas sejam permanentes enquanto elas não o são. Impermanência é movimento, é vida. As coisas só existem na sua forma e cor presentes.

Não-eu. Nada que existe tem existência em si mesmo, separada e independente. Cada coisa precisa estar ligada com todo o universo para poder existir. Cada coisa é uma junção de elementos que não são ela mesma. Não existe nada que é separado do resto, que possa existir de forma independente e definitiva.


Interdependência. Vazio. Nada pode existir por si só. Tudo é criado por várias condições, e todos os fenômenos estão inter-relacionados. É a Unicidade. Quem compreende profundamente esta verdade pratica a compaixão, pois vê que é um com tudo o que existe. Tal pessoa compreende um segredo da vida: que a felicidade só pode ser encontrada na compaixão e no altruísmo, e que seguir os nossos desejos egoístas só nos traz sofrimento e perturbação. A interdependência pode ser resumida no seguinte ensinamento do Buddha: “Vos ensinarei o Dharma: se isso existe, aquilo vem à existência; do surgir disso, surge aquilo; se isso não existe, aquilo não vem à existência; da cessação disto, aquilo cessa”. Todas as ondas (fenômenos) pertencem ao mesmo oceano (unidade, totalidade, verdade) da Vida.

Karma. É a lei de causa e efeito. Construímos karma através das nossas ações de corpo, da fala e da mente. As ações virtuosas geram bons resultados e felicidade; as ações não-virtuosas geram más condições e sofrimento. A retribuição kármica se dá em três etapas do tempo: nessa mesma vida, na próxima vida, em vidas posteriores. Momento após momento nós geramos karma e criamos a nossa realidade.

Samsara. Todos os seres estão sujeitos à roda do nascimento e da morte sucessivos. O Buddhismo acredita que as energias kármicas emanadas das nossas ações boas e más geram um novo corpo e uma nova mente de acordo com a natureza dos impulsos kármicos. Samsara em sânscrito significa “perambulação”.

Nirvana. Nirvana é a Liberdade Incondicionada. É a liberação total do sofrimento, um estado de paz inabalável e de indescritível felicidade. É um estado além de todos os conceitos.

As Três Práticas: Ética; Meditação; Sabedoria.

Os Cinco Desejos Básicos: comida/bebida; sono; sexo; riquezas; fama.
Os Três Tesouros: Buddha: O ser iluminado, ou o Absoluto; Dharma: os ensinamentos, o Caminho; Sangha: a comunidade de praticantes.

Os Cinco Preceitos: 1. Não matar; 2. Não roubar; 3. Não mentir; 4. Não ter conduta sexual imprópria; 5. Não lidar com intoxicantes. Não seguir os preceitos não é "pecado"; é, simplesmente, ignorância. "Enquanto a má ação está verde, o perverso nela se satisfaz; mas, uma vez amadurecida, ela lhe traz frutos amargos." – Dhammapada, 119.

As Duas Verdades: É a verdade absoluta e a relativa. Em termos relativos, é preciso praticar para extinguir o sofrimento; em termos absolutos, não há sofrimento, nem caminho, nem realização — a onda já é a água. Absoluto e relativo se encaixam perfeitamente, e as duas verdades se complementam. Devemos viver em contato tanto com o absoluto quanto com o relativo.

As Três Qualidades do DharmaImpermanência: Todas as coisas são impermanentes. Tudo muda o tempo todo sem parar. Nada é igual nem por um instante. Nada existe que possa ser considerado um eu permanente. Um minuto atrás, você era diferente do que é agora, tanto física quanto mentalmente. O que nos faz sofrer não é a impermanência em si, mas o nosso desejo de que as coisas sejam permanentes enquanto elas não o são. Impermanência é movimento, é vida.

Não-eu, ou Vazio: Nada que existe tem existência em si mesmo, separada e independente. Cada coisa precisa estar ligada com todo o resto para poder existir. Cada coisa é uma junção de elementos que não são ela mesma. Nada possui uma essência estável e permanente, por isso as coisas só existem assim como elas são agora. As ondas (todas as existências particulares) são manifestações passageiras do mar (o Todo, o conjunto e a fonte de todas as condições).

Nirvana: Nirvana é o estado de absoluta liberdade e de completo silêncio do coração, além de todos os conceitos. Literalmente nirvana significa “extinção”: extinção das nossas ilusões, desejos, e outros estados mentais negativos. O nirvana já é a base da nossa existência, a natureza búdica sempre foi o nosso verdadeiro ser. O que precisamos é nos esforçar para compreender e manifestar a nossa natureza mais profunda.

As Três Portas da Liberação
Vazio (Sunyata): O vazio é o Caminho do Meio entre a existência e a não-existência. Vazio significa que nada possui um eu. Quando as nossas ações emanam da consciência da natureza vazia da realidade, são ações iluminadas.

Ausência de Imagens (Animitta): Imagem é qualquer sinal que está na nossa consciência (sinal provindo de um dos seis sentidos). A realidade encontra-se além dos sinais. Tudo se manifesta através de imagens, mas as imagens nos enganam.

Ausência de Objetivo (Apranihita): Nada existe a ser feito ou realizado. A verdade mais profunda da existência é que nós já somos o todo, já somos a natureza de Buddha. Nesse sentido absoluto, nada nos falta. A ausência de objetivos é o que permite viver o momento, e ser felizes aqui e agora.

Os Quatro Pensamentos Incomensuráveis
Amor: é o desejo de que os outros seres sejam felizes, e a ação nesse sentido. É um sentimento incondicional, que nasce da compreensão da unidade fundamental de todas as coisas.

Compaixão: é o desejo de que os outros não sofram e a ação para aliviar a dor alheia. Quando entramos em contato com o sofrimento do outro, a compaixão brota em nosso coração. Para isso precisamos de atenção plena.

Alegria: a alegria provém naturalmente de um coração que reconhece a preciosidade que é ter nascido como um ser humano e poder praticar o Dharma.

Equanimidade: é o desapego aos opostos, olhá-los de forma igual. Equanimidade significa imparcialidade, não discriminação, equilíbrio mental. É não discriminar “eu” e “outros”. É permanecer imóvel ao sofrer palavras e ações injustas, e ao ouvir elogios. É não permitir que surja a irritação, a amargura, o desânimo. É experimentar todas as sensações sem deixar surgir desejo ou aversão.

Os Cinco Agregados
Forma (rupa): é o nosso corpo físico.

Sensação (vedana): elas podem ser agradáveis, desagradáveis ou neutras. Toda/s as sensações são impermanentes e sem substância (como todos os outros quatro Agregados)

Percepções (samja): nossas percepções são sempre distorcidas por nossas aflições mentais já presentes: o medo, o desejo, a raiva.

Formações Mentais (samskara): existem 51 tipos de formações mentais, e duas delas são as sensações e as percepções. Esse Quarto Agregado é composto por todas as outras 49 formações mentais. Tudo que é feito de um outro elemento é uma “formação”.

Consciência (vijnana): é o alicerce sobre o qual erigimos nossas formações mentais.

Os Cinco Agregados não são sofrimento em si, mas produzem sofrimento ao nos apegarmos a eles.


As Seis PerfeiçõesDana (Generosidade): é o doar, a caridade, a abertura do coração. É dar sem apego. Podemos dar coisas materiais, ensinamentos, ou a nossa presença, estabilidade e paz. Fazer algo com a consciência de seu valor absoluto também é dar.

Sila (Ética): é viver de acordo com os preceitos buddhistas.

Kshanti (Paciência): é a capacidade de tudo aceitar e de perdoar, sem rancor, as injustiças que nos foram cometidas. É alargar o nosso coração para que um punhado de sal não deixe nossa água salgada. É ser como a terra, que tudo acolhe sem reclamar ou discriminar. É absorver tudo o que nos acontece na vida. É semelhante à equanimidade.

Virya (Esforço): determinação, energia, perseverança. É não desanimar ou desistir. Não vacilar. Avançar sem recuar, decididamente. Nosso esforço deve ser correto, e não devemos nos apegar aos resultados.

Dhyana (Meditação): é a prática do zazen, a prática da atenção plena. É clarear e libertar a mente. É consumir-se por completo naquilo que se está fazendo, estando totalmente presente e consciente.

Prajna (Sabedoria): é a sabedoria da não-discriminação. É a capacidade de ver as coisas como elas são. Prajna Paramita é a mãe de todas as paramitas e a base de seu desenvolvimento. Prajna é a compreensão do vazio.
As seis perfeições, ou paramitas são, em última análise, uma só.

As seis perfeições, ou paramitas são, em última análise, uma só.
Os Sete Fatores do Despertar
Atenção Plena

A investigação dos fenômenos

Esforço

Serenidade

Alegria

Concentração

Equanimidade

Buddha disse que, praticando a Atenção Plena, os Sete Fatores do Despertar se fazem presentes.

As Cinco Lembranças
Eu tenho a natureza daquilo que envelhece. Não há como escapar da velhice.

Eu tenho a natureza daquilo que adoece. Não há como escapar da doença.

Eu tenho a natureza daquilo que morre. Não há como escapar da morte.

Tudo que me é caro e todas as pessoas que amo tem a natureza daquilo que muda. Não há como não me separar deles.

Minhas ações de corpo, fala e mente são meus únicos pertences verdadeiros. Não há como escapar da conseqüência de minhas ações. Elas são o chão no qual eu piso.

OutrosOs Três Mundos: passado, presente, futuro.

Os Três Reinos: o reino dos desejos, o reino da forma, o reino da não-forma.

Os Três Tipos de Orgulho: achar-se superior aos outros; achar-se inferior aos outros; achar-se tão bom quanto qualquer um.

Os Quatro Tipos de Apego: apego aos prazeres dos sentidos, apego às opiniões, apego às regras e ritos, apego à noção de um "eu".

Os Cinco Poderes: fé, esforço, atenção, concentração, sabedoria.

Os Seis Sentidos: visão, audição, olfato, paladar, tato e mente.

Os Seis Grandes Elementos: terra, água, ar, fogo, espaço (akasha) e consciência.

As Oito Consciências: As cinco primeiras consciências (os cinco sentidos); manovijnana (consciência mental); manas (intelecto, consciência discriminativa); alayavijnana (consciência armazenadora, mente inconsciente).

Os Oito Aspectos da Iluminação: livre da ganância, capacidade de satisfazer-se; quietude; esforço diligente; memória correta; concentração; sabedoria; evitar discussões à toa.

Os Doze Elos da Originação Interdependente: ignorância (avidya); ação intencional (samskara); consciência (vijnana); nome e forma (nama rupa); os seis sentidos; contato; sensação; desejo; apego, vir-a-ser; nascimento; velhice e morte.

As Duas Entradas no Caminho - Bodhidharma



Muitas são as formas
de entrada no Caminho, mas podem ser resumidas em duas. Existem a "Entrada da Inteligência e a Entrada da Conduta". A primeira é a compreensão da essência dos ensinamentos do Buddha por meio das escrituras, pela qual surge a profunda confiança na natureza verdadeira, a qual é compartilhada por todos os seres sencientes. Ela não se manifesta porque é obscurecida pelos objetos exteriores e os falsos pensamentos. Pelo abandono do falso e a proximidade com o verdadeiro, o homem com mente unificada senta-se em meditação, descobrindo que não existem nem eu, nem outro, e que o homem e o santo possuem a mesma essência. Nisto ele coloca sua firme confiança e dela não se aparta. Sendo silenciosamente um com a Inteligência, das palavras ele não é escravo, e é livre da consciência discriminativa. Ele é sereno e situa-se além da ação. Esta é a "Entrada da Inteligência".

A "Entrada da Conduta" inclui as quatro condutas, nas quais estão todas as ações. Que quatro?

Conhecer como se livrar do ódio;

Aceitar o karma;

Nada desejar;

Estar de acordo com o Dharma.


1. O que é conhecer como se livrar do ódio?
Quem se disciplina no Caminho, quando encontra condições adversas, deverá pensar assim: "Por incontáveis eras no passado vaguei por multitudes de existências, apegando-me à trivialidade e desprezando o essencial. Criei com isso inúmeras situações propícias ao ódio, à má-vontade e às ações não-saudáveis. Mesmo que nesta vida transgressões não fossem feitas, ainda assim os frutos das ações maléficas do passado se manifestariam. Nem os seres luminosos, nem os homens poderiam saber o que a mim está reservado. De boa vontade e com paciência aceitarei os males que a mim sobrevierem e deles não me lamentarei. Nos sutras é dito que não devo me agitar pelos males que surgem, pois, quando com inteligência as coisas são penetradas, os fundamentos da causalidade são conhecidos". Quando tais pensamentos surgem num homem, com a Inteligência ele estará de acordo, fazendo do ódio o melhor uso possível e colocando-o à serviço do Caminho.

2. Aceitar o karma significa:
Nos seres produzidos pelas condições do karma, nenhuma substância imutável pode ser encontrada, e a alegria, bem como o sofrimento, são também resultados de ações intencionais do passado. Se vêm a riqueza, o louvor, etc., estes são resultados de ações passadas que, devido à causalidade, afetam minha vida no presente. Esgotada a força das ações, os resultados que agora desfruto se acabam. Por que, então, alegrar-me com eles? Ocorrendo o ganho ou a perda, que eu aceite o karma. O coração nada sabe de aumentos ou diminuições. Na harmonia silenciosa com o Caminho o vento do prazer não me abala. Isso é o significado de aceitar o karma.

3. Nada desejar significa:
Neste mundo, os homens continuamente confusos, apegam-se sempre aqui e ali. A isto se chama desejo. Os sábios, porém, compreendem a verdade, e em nada se assemelham aos ignorantes. Serenamente seus corações repousam no não-criado, enquanto o corpo se move de acordo com as leis da causalidade. Todas as coisas são vazias e nada vale a pena buscar. Lá onde está o mérito do brilho, também está o demérito da escuridão. Este mundo tríplice, no qual convivemos por tão longo tempo, é como uma casa em chamas. Tudo o que tem um corpo sofre e ninguém sabe realmente o que é a paz. Os sábios nunca se apegam a nada, pois conhecem intimamente esta verdade. Com os pensamentos serenos nada desejam. Assim diz o sutra: "Quando há o desejo, há o sofrimento. Com a cessação do desejo vem a felicidade". Sabemos, deste modo, que nada desejar é o caminho para a verdade. Isto é o que significa "nada desejar".

4. "Estar de acordo com o Dharma" significa:
Que a Inteligência a que chamamos Dharma é pura em sua essência e é o princípio da vacuidade em tudo que se manifesta. Está além das manchas e dos apegos. Nela não há nem eu nem outro. Diz o sutra: "No Dharma não há seres sencientes, pois ele está livre da mancha do ser. No Dharma não há "eu", pois ele está livre da mancha do eu". O entendimento e a confiança nesta verdade tornam as ações dos sábios conformes ao Dharma.

A essência do Dharma é o não desejar e, assim, os sábios estão prontos para a generosidade do corpo, da vida e das propriedades. Em nada lamentam e são livres da má-vontade. Sua compreensão da natureza tríplice da vacuidade, os leva para além da parcialidade e do apego. Devido à sua vontade de limpar as manchas dos seres, eles se adaptam a eles sem se apegar à forma. Esta é a fase do benefício próprio em suas vidas. Mas eles sabem também como ajudar aos demais e louvar a verdade do Despertar. Como é com a virtude da generosidade, assim também com as outras cinco virtudes. Os sábios praticam as seis virtudes transcendentes afastando os pensamentos confusos sem esperarem pelos resultados meritórios destas ações. Isto é o que significa "estar de acordo com o Dharma".

(Atribuído a Bodhidharma em A Transmissão da Lâmpada, XXX
tradução de Ricardo Sasaki)

Fonte: http://www.dharmanet.com.br