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terça-feira, 31 de março de 2009

Joaquim desmistifica assuntos como ‘exus’ e ‘trabalhos nas encruzilhadas’

Continuando a série 'Pai Joaquim e suas pérolas de sabedoria', enfrentamos um tema polêmico, mas de extrema importância para o entendimento do Todo.


Pergunta: Os exus onde ficam? Existem em todos os mundos?

O exu é o espírito mais “puro” que existe, pois para trabalhar com as energias que ele opera sem se “sujar”, precisa ser muito “puro”. Existe muito espírito “santinho” que não resistiria à tentação de usar para si, individualmente, as energias que os exus operam.

Então, tem sim: tem muito exu em todos os lugares do universo. Mas, tem muito “santo”: esta é a realidade.


Pergunta: Estes que são os exus coroados, mas existem os castiços, não?

Para quem não está acostumado com esta falange, na umbanda existem os exus do “mal” e do “bem”: os “castiços” e os “coroados”. Apesar disso, o comentário que fiz anteriormente vale para dos dois: são puros. Quanto mais envolto em “sentimentos negativados”, mais o exu tem que ser “puro” para não se deixar contaminar.

Eu diria o seguinte: o trabalho de “exu” é uma missão. É um trabalho espiritual que aquele ser assume em benefício da coletividade espiritual. Só para exemplificarmos, guardada as devidas proporções, Jesus nasceu humilde. Poderia nascer rei porque era, mas ele desceu a humildade para dar o exemplo.

Posso afirmar que a maioria dos seres que operam na faixa vibratória que você chama de “exu castiço” desce a humildade de utilizar aquelas formas todas (bebidas, charuto), mas por dentro são “santos”. Se isso não ocorresse este ser poderia deixar-se contaminar com o “material” que trabalha e aí seria um grande problema para ele.

Pergunta: Então, por favor, me tire essa dúvida. São os médiuns que fazem o “mal”, ou melhor, que atendem aos pedidos, e não os exus?

Na verdade quem atende o pedido é Deus. Como vimos no estudo do Livro dos Espíritos, Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Dessa forma, se um exu pode pegar uma demanda e “levar” para uma pessoa é porque Deus causou ele entregar. Mas, nem tudo que o exu “pega” ele “leva”. O próprio exu quando recebe a missão já avisa: “eu “pego”, mas se não puder entregar trago de volta”. Esse é um detalhe que muitos se esquecem.


Raciocinando a partir do ensinamento Deus Causa Primária, podemos compreender que Deus faz o exu trabalhar dessa forma. Se ele consegue entregar a demanda é porque Deus fez ele levar e conseguir entregar.

Além disso, aprendemos ainda na primeira pergunta do Livro dos Espíritos que Deus é a Inteligência Suprema. Portanto, se Deus causou este exu levar a demanda é porque Ele analisou profundamente e teve a plena certeza de que aquele que receberia a demanda precisava e merecia recebê-la, como uma ação carmatica, como resultado de uma ação anterior.



Se nós achamos que essa demanda é “mal”, não estamos usando os atributos de Deus: soberanamente justo e bom. Deus não pode praticar o mal, pois a Justiça e o Amor não causam o “mal”. Essa demanda não é o “mal”: é o amor. Já foi dito: ou você aprende pelo amor ou pela dor, Este último caminho também é o amor de Deus em ação, ou seja, uma forma de você aprender.

Esse ensinamento deve nos levar a acabar com o pensamento que existe o “mal”. Não existe o “mal”: existem trabalhadores com energias negativadas, mas que trabalham para o “bem”, para Deus. É por isso que eu disse que exu é “santo”.

Pergunta: Os exus não têm livre-arbítrio?

Os exus têm o livre arbítrio de utilizar ou não os sentimentos que operam para si. Ele não pode ter o livre arbítrio de decidir o que vai fazer da vida dos outros. Se eles tivessem o livre arbítrio de levar uma demanda para uma pessoa, e o dela, como ficaria?

Porque o livre arbítrio do exu seria mais forte do que daquele que vai receber uma coisa que não queria? É isso que precisamos compreender a respeito de livre arbítrio: o meu direito acaba onde começa o seu; o meu livre arbítrio acaba onde começa o seu.

O exu tem todo livre arbítrio de fazer o que ele quer, desde que seja para ele mesmo, com o sentimento que é colocado na demanda, mas não para os outros. Por isso eu disse: ele tem que estar muito firme no amor a Deus. Precisa estar muito firme na convicção dele da realidade (ser instrumento de Deus) para poder servir ao Pi no meio destas energias sem se sujar. Se não estiver, cede à tentação.


Eu diria, dando só um exemplo. É como pegar um homem endividado para pegar uma caixa forte. Se ele tiver uma índole individualista ao ver tanto dinheiro dirá: “ninguém vai sentir falta mesmo” e usaria o dinheiro alheio. Agora, se ele, mesmo endividado, tiver uma índole boa, vai tomar conta do dinheiro, receber o seu pagamento como combinado e não mexerá no dos outros.

É um exemplo grosseiro, mas acho que traduz o que quis dizer.

Pergunta: Mas a demanda só pega se existir afinidade entre quem pede e vai receber.

Só pega se existir merecimento em quem vai receber. Se você tiver o merecimento (carma) de recebê-la, com certeza isso acontecerá. E para isso não há necessidade de espírito, de exu, de ninguém fazer, pois Deus é a Causa Primária: Ele não deixará de dar a cada de acordo com as suas obras.

Se não tiver exu para levar, se não tiver ninguém para fazer a demanda, Deus faz de outra forma. É isso que nós precisamos entender. Se você “receber” alguma coisa não é porque ninguém pediu, um exu que levou, mas porque você precisa e merece receber aquilo como fruto de suas ações espirituais anteriores.

O exu é um espírito santo. Ele faz tudo aquilo porque, na verdade, está caricaturando você. Os seres humanizados ainda não compreenderam isso. A forma do exu é uma caricatura de um ser humano. Ele utiliza-se dela para chocar você.

Pergunta: Exu é a força da Terra, por isso a caricatura.

Exu é o trabalhador mais perto do ser humanizado: isso é o que você chama de “força da Terra”. Foi o que eu disse.

Na hora do trabalho na energia individualizada você manda um exu, na hora das palavras bonitas manda-se um preto-velho, na hora da força chama-se um índio. Na verdade o espírito que está ali não é um exu, índio ou preto-velho: é simplesmente uma forma que ele assume para lhe passar uma mensagem, dando a ela mais convicção.


Participante: O senhor pode falar a respeito dos trabalhos realizados pela umbanda nas encruzilhadas?

Boa oportunidade para desmistificarmos esta questão. Existe muito preconceito a respeito disso e você, com a sua pergunta, me dá uma oportunidade de tentar eliminá-lo através da perfeita compreensão sobre o tema.

Antes de qualquer coisa, precisamos nos lembrar que o Espírito da Verdade ensina que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Sendo assim, se alguém vai a um centro de umbanda pedir um trabalho contra outro, foi Deus que fiz isso acontecer.

Da mesma forma, se este trabalho é destinado especificamente contra alguém, este alvo foi indicado pelo Senhor. Este trabalho, então, faz parte da encarnação tanto de quem fez como de quem vai receber, ou seja, é um elemento da provação dos espíritos nele envolvidos. Já vamos entender esta afirmação.

Antes, porém, lembremo-nos ainda, que tudo que Deus causa é fundamentado na lei do carma, no merecimento de cada um. Portanto, quem fez ou quem está sendo apontado como alvo para a recepção do despacho mereceram participar deste acontecimento.

Na verdade Deus deu a um espírito humanizado a intuição de fazer o trabalho porque ele teve sentimentos que o fez merecedor de realizar este papel na vida. Designou ainda o outro como alvo específico porque ele também era ou é portador de individualismos que necessitam deste acontecimento para a promoção da reforma íntima.

Agora, se este trabalho vai chegar à pessoa que à qual foi direcionado, não sei lhe responder. Isto porque esta situação dependerá do merecimento da outra pessoa receber ou não. Muitas vezes o merecimento daquele ser foi só o de ser indicado como alvo, mas não de receber a carga embutida no despacho.

Neste caso, toda aquela carga será devolvida à sua origem, a quem pediu a realização do trabalho. É por isso que na umbanda e na quimbanda, o exu, nome pelo qual são conhecidos os trabalhadores que executam o papel de intermediários dos trabalhos, diz a quem lhe pede uma demanda: eu pego e levo; agora, se não puder entregar, eu volto e lhe devolvo.

Esta é a primeira parte da resposta. Vamos à segunda…

Um trabalho se consiste em um sentimento, uma energia e não nos objetos materiais nele envolvidos. Quando alguém encomenda um trabalho contra outro, não importa que elementos físicos sejam utilizados, pois o que vale é a carga energética que está sendo enviada junto com eles.


A energia agregada aos elementos físicos do despacho na encruza será recebida por um espírito trabalhador conhecido como exu. Este a recolherá e levará para a pessoa indicada. Só que se chega lá a vibração da pessoa não encaixa com o que está sendo remetido, ele volta e a devolve para quem mandou, pois este sentimento é dela, foi ela quem mandou.

Estes são os três aspectos importantes para compreendermos a questão dos trabalhos de umbanda: primeiro que ele faz parte do plano de Deus para a encarnação do espírito; segundo, que se trata da remessa de energias universais e não da disponibilizar elementos materiais; terceiro, que tanto a fonte receptora como a emissora, precisam estar numa sintonia sentimental, dentro de um padrão vibratório, porque tudo aquilo é prova.

Agora, se a macumba não é o charuto, a cachaça, a galinha ou a farofa, mas aquilo que vai por dentro da pessoa que pede o trabalho, quando alguém olha atravessado para outro, podemos dizer que também está fazendo um trabalho contra ele, pois o elemento primário do despacho está presente: o sentimento negativo.

Quem tem raiva de alguém está depositando um despacho na encruza; quem acusa alguém por qualquer motivo, está gerando uma remessa de energias iguais a dos trabalhos de umbanda. Por que? Porque macumba não são as coisas materiais e sim o sentimento que se envia para outro.

Portanto, não importa se você está falando, se está cantando ou oferecendo coisas materiais, o sentimento é o que manda, o que determina o ato.

Acho que isso nos faz ver que, mais importante do que ter medo de despachos, o que precisamos estar é sempre atento ao nosso mundo interno, para não termos sentimentos individualistas que nos façam servir como instrumento para um destes dois papéis da vida.



Fonte: http://www.universalismo.org

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