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sexta-feira, 27 de março de 2009

Projeciologia: a Memória e a Holografia

Publicado em: 08/03/2009
Autor: Razera, Graça

* Este artigo foi publicado originalmente no livro "Gestações Conscienciais", volume 1, em dezembro de 1994.



A Holografia, após a invenção do laser, vem colocando novas questões no meio científico. Entre elas a memória - assunto ainda obscuro, apesar de todo avanço científico dos últimos tempos - expressa numa abordagem avançada no meio fisicalista, mas ainda muito simplista para a Projeciologia.

Vejamos os seguintes tópicos:

1) A Breve História da Memória na Ciência;
2) A Abordagem Holográfica e a Memória;
3) A Ampla Abordagem da Projeciologia.

1) A Breve História da Memória na Ciência

O arquivo de dados, a memória, é de fundamental importância para todo o ser vivo, pois se relaciona diretamente com a aprendizagem. Dentre as espécies conhecidas, a espécie humana é a que possui a memória mais complexa no planeta. No entanto, as pesquisas ainda não definiram uma questão básica: a localização das informações no cérebro.

No início dos anos 20, as experiências cirúrgicas do neuropesquisador, Wilder Penfield, em pacientes epiléticos, indicava que as lembranças alojam-se no lobo temporal. Segundo as observações, o paciente vivia determinadas cenas de sua vida como se estivesse assistindo a um filme real. Isso no momento em que seu lobo temporal era estimulado com eletrodos especiais. Caso este aconteceu com um paciente, em estado de vigília ordinária, que viveu cenas de sua vida em detalhes. E um garoto, no momento da operação, também consciente, foi repetindo a conversa inteira, palavra por palavra, de sua mãe ao telefone com uma amiga. Enfim, Penfield chegou à conclusão, depois de muito pesquisar, de que todas as lembranças são armazenadas num local específico no cérebro.
Mas será que todos os instantes de uma vida inteira são registrados num local específico ou estão espalhados no córtex como um todo?

Na década de 60, quarenta anos depois das experiências de Penfield, outros experimentos foram feitos. Um dos testes era realizado em laboratório, onde se treinavam alguns ratos para percorrerem um labirinto. Depois de treinados, um dos ratos era escolhido para a cirurgia na região temporal e, posteriormente, nas demais regiões cerebrais. O resultado das experiências foi o não esquecimento do caminho em todas as fases do teste. E em seres humanos, a constatação foi idêntica nos pacientes cujo estado clínico exigia uma cirurgia cerebral. E mesmo quando grandes proporções do córtex eram removidas, inclusive a zona temporal, as rememorações permaneciam. Em casos mais graves, as recordações ficavam indefinidas, nebulosas ou parciais. Entretanto, havia o reconhecimento dos familiares, das vozes, da identidade.

Diante dessa situação contraditória, como definir o local da memória, se numa pequena porção cerebral, apesar de restante, ela ainda existe?



2) A Abordagem Holográfica e a Memória

E neste contexto entra a Holografia.

Para o neurocirurgião Karl Pribram, as lembranças estão distribuídas na região cortical ao invés de localizadas. E a partir daí, Pribram aderiu à visão holográfica em seus estudos, através de analogias entre o holograma e o cérebro humano. Uma das comparações relaciona a imagem do holograma com a memória, sob o enfoque holístico de que o todo está contido nas partes. Exemplo: se um holograma de um vaso de flores for partido ao meio, basta incidir o laser sobre uma das metades para que a imagem do vaso de flores apareça de forma completa. Deste modo, a metade reproduz o todo. Se fracionar o holograma em maior número de partes, a imagem do vaso aparecerá novamente. Não importa o tamanho das partes. Mesmo as partículas de filme holográfico compõem a figura inteira.

A informação do todo não é perdida. O que varia é a qualidade, pois quanto menor forem as partes, mais fraca é a imagem. Mesmo assim o todo permanece. Em resumo, as informações são perpetuadas desde que exista algum pedaço do filme. Assim funcionaria a memória. O córtex inteiro emite a memória inteira. E o córtex incompleto emitiria a memória inteira, porém mais enfraquecida. Seguindo o raciocínio de Pribram, pode-se deduzir que as informações do indivíduo não serão extintas, enquanto o cérebro existir. Em outras palavras, os dados integrais da figura holográfica são perpétuos enquanto houver um pedacinho do holograma. Então o córtex guardaria os dados gerais da pessoa, enquanto existir alguma porção cortical. E analisando mais profundamente, o ser humano perderia a sua história ao passar pela primeira morte, onde o cérebro é completamente extinto.

3) A Ampla Abordagem da Projeciologia

Contudo, as pesquisas da Projeciologia provam a falsidade desta hipótese, pois, ao que tudo indica, a memória não é material somente. Ela não se extingue com a primeira morte (desativação do soma), nem com a segunda morte (desativação do holochacra) e muito menos com a terceira morte (desativação do psicossoma).

O banco de dados da consciência é muito mais complexo do que se imagina. Para começar, há vários tipos de memória. Segundo a psicóloga Linda Davidoff, há mais de 50 modelos já elaborados. E na Projeciologia esta questão fica ainda mais complexa devido ao conhecimento da memória integral.

Este imenso arquivo de dados, conhecido também como memória permanente é o mais completo registro de informações acerca das vivências multiexistenciais, sejam elas intrafísicas ou intermissivas, da consciência.

É uma polimemória que vai restringindo-se conforme a densidade energética dos veículos de manifestação.
Sabe-se que o holossoma do ser humano é composto por quatro corpos (soma, holochacra, psicossoma e mentalsoma) cada um dos quais com memórias específicas que expressam-se, muitas vezes de maneira simultânea. Daí a complexidade do tema. O soma possui a memória organísmica (instinto animal), genética (hereditariedade) e cerebral (vigília física ordinária) que dura em média 70 anos (este é o veículo mais denso da memória integral e em que se baseiam os estudos das ciências como a medicina e a psicologia). O terceiro corpo, o psicossoma, possui a memória extrafísica que pertence à conscin projetada ou consciex. E o mentalsoma, o veículo mais sutil e sofisticado, é o portador de todas as memórias: a própria memória integral.

Quanto ao acesso a este grande banco mnemônico, podemos dizer que é aumentado conforme o nível evolutivo da consciência. A pessoa aberta e livre de preconceitos tem um acesso maior às informações acerca de si mesma e do seu grupo evolutivo, do que a personalidade puramente humana, vivendo apenas na intrafisicalidade, desconhecendo ou ignorando a existência das dimensões extrafísicas. Mas abertura mental ou "open mind" ainda é pouco. Há evidências de que nem mesmo o Serenão (Homo sapiens serenissimus), consciência modelo da escala evolutiva, tem acesso total à sua memória integral.




Enfim, com a visão panorâmica da Projeciologia, vemos o quanto é superficial a analogia baseada na Holografia quanto às questões da memória. A sua abordagem parece algo inovador, no entanto nada apresenta de novo. A sua base continua calcada na idéia materialista da ciência convencional, variando apenas a forma com que esta velha idéia se apresenta.

Os cientistas, na sua maioria, acreditam que a memória, como outras funções superiores da psique humana, é produto da química cerebral ou produto de um composto elétrico formado pelas diferenças de potencial ou DDP dos grupamentos de células neuronais. É evidente que o cérebro, como todo sistema organísmico do homem, produz enzimas e substâncias bioquímicas e outras que ajudam e auxiliam a registrar dados na memória. Mas é apenas um meio para que as informações passem para a memória maior, não sendo a consciência em si. E "modificando" o enfoque do tema, os teóricos da holografia associam o processo da memória com o padrão de interferência da luz. Sair da matéria natural para chegar a matéria artificial. E sair da matriz para analisar o protótipo mnemônico a fim de explicar este vasto campo não é atitude muito racional.

Como se vê, a complexidade das informações vividas pela consciência são amplas e bem diferentes dos estudos convencionais. Contudo, esperamos que, um dia, a ciência como as demais formas de saber, tenham abertura suficiente para, de fato, elaborar métodos mais aprofundados e eficazes neste importante campo de informações onde se encontra a realidade maior da consciência ou a realidade da sua personalidade integral, na própria essência.

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